O Militante nº 25: '1964: o golpe a serviço do Capital'

Nota política do PCB Friburgo - Base Francisco Bravo

Em 1º de abril de 1964, grandes empresários associados ao capitalismo internacional e apoiados pelo governo imperialista dos Estados Unidos financiaram poderosa campanha anticomunista nos meios de comunicação e patrocinaram o golpe militar para derrubar o governo de João Goulart, interrompendo um período de grande mobilização dos movimentos populares no país e o projeto de implantação de reformas de base. O governo de Jango, identificado com propostas nacionalistas e aberto ao diálogo com as lideranças dos trabalhadores, significava claramente um obstáculo às pretensões da grande burguesia integrada ao capital internacional, disposta, então, a tomar de assalto o poder de Estado, para fazer valer plenamente seus interesses, impondo, a partir daí, um dos maiores arrochos salariais da História do Brasil e abrindo o caminho para a consolidação do capitalismo monopolista.

Também assustava os setores reacionários a participação ativa de amplas camadas de trabalhadores urbanos e rurais nas lutas políticas e sociais, assim como de estudantes, artistas e intelectuais. Toda esta movimentação popular era vista como uma séria ameaça aos interesses das empresas multinacionais, dos bancos, da grande indústria e do latifúndio, pois poderia desaguar num processo de reformas econômicas e sociais, de caráter anti-imperialista e contrário ao domínio secular do latifúndio no campo, como a reforma agrária, a reforma do sistema financeiro e a limitação da remessa de lucros das multinacionais ao exterior. A resposta dos grandes grupos capitalistas foi a preparação de um movimento reacionário para conter de pronto a ameaça que vinha da classe trabalhadora. Sob o argumento de barrar o avanço do comunismo no país, a ditadura prendeu, sequestrou, exilou, torturou e matou sindicalistas, estudantes, artistas, professores, enfim, trabalhadores e jovens que lutavam por um Brasil sem desigualdades sociais.

O Partido Comunista Brasileiro (PCB) foi o partido mais perseguido pela ditadura. Ao participar ativamente da resistência democrática e mesmo não tendo aderido à luta armada, pagou um alto custo por essa jornada de lutas: centenas de militantes comunistas foram presos, torturados, assassinados e exilados. No início de 1973, o dirigente regional do PCB Célio Guedes foi morto com um tiro na nuca nas dependências do Cenimar no Rio de Janeiro. No ano de 1974, foram assassinados os dirigentes nacionais Davi Capistrano da Costa, José Roman, João Massena, Luiz Ignácio Maranhão Filho, Walter de Souza Ribeiro. No ano de 1975 a repressão eliminou os membros do Comitê Central Elson Costa, Hiran de Lima Pereira, Nestor Veras, Itair Veloso, Orlando da Silva Rosa Bonfim Júnior e Jayme Amorim de Miranda, além do líder da juventude comunista José Montenegro de Lima. Seus corpos nunca foram encontrados até hoje. Fechando o ano de 1975, a repressão assassinou, sob tortura, Vladimir Herzog, professor da USP e jornalista, militante da base cultural do PCB em São Paulo. No ano seguinte ainda tombaram, vítimas da ditadura, a militante Neide Alves Santos e o operário metalúrgico Manoel Fiel Filho, responsável pela distribuição do jornal Voz Operária nas fábricas da Mooca, em São Paulo.

Em Nova Friburgo, foi cassado o vereador comunista Francisco de Assis Bravo (Chiquinho Pimpão). O empresariado local, liderado por Heródoto Bento de Mello e articulado com o Sanatório Naval, forçou a renúncia do Prefeito Vanor Tassara Moreira. O estudante da UFRJ Mario Prata, formado no Colégio Anchieta, foi assassinado no Rio de Janeiro. O deputado federal Humberto El-Jaick teve seus direitos políticos suspensos por dez anos e foi impedido de exercer o magistério. Hoje lutamos pelo fim do aparato repressivo ainda vigente e das práticas de tortura, pela criação da Comissão Municipal da Verdade, para apurar os crimes cometidos contra os direitos humanos e apontar seus responsáveis. Pela devolução simbólica dos mandatos de Vanor, Chico Bravo e Humberto El-Jaick. 

- PELA REVOGAÇÃO DA LEI DE ANISTIA, COM A PUNIÇÃO DOS TORTURADORES, ASSASSINOS E COLABORADORES DO REGIME DITATORIAL. 
- PELA DESMILITARIZAÇÃO DAS POLÍCIAS. 
- OUSAR LUTAR, OUSAR VENCER!

UJC – União da Juventude Comunista de Nova Friburgo
Base Francisco Bravo / Partido Comunista Brasileiro (PCB)

 
À esquerda, Chico Bravo, militante comunista: único vereador em toda a história de Nova Friburgo a ser cassado por motivos ideológicos, pós o golpe  de 1964. Junto dele, o professor Sidney Moura. Foto de 1989.

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