Ao passo que a blogueira cubana Yoani Sánchez desfila seu rosto pelos principais pontos turísticos brasileiros – e aí se inclui o Congresso Nacional – muitos se posicionam sobre o verdadeiro motivo/necessidade dessa viagem. Yoani, cujo passeio não termina no Brasil (ela fará um tour por mais alguns países) tem enfrentado alguns protestos por ser a voz mais importante da dissidência cubana, assunto preferido dos grandes monopólios midiáticos. Passemos a analisar alguns assuntos que merecem destaque:
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| Tropa de choque de Yoani |
2º. “Dois pesos e duas medidas”: Yoani tem o livre direito de se colocar contra o regime cubano e assim o faz. Não há nenhuma prova – nenhuma! – de cerceamento de liberdade de expressão por parte do governo contra a blogueira. Aliás, sua página na Internet tem uma infraestrutura invejável a qualquer órgão oficial cubano, garantindo uma taxa de milhares de acessos simultâneos. Sua bandeira de luta – a “liberdade de expressão” – não é usada por alguns de seus financiadores. Enquanto Yoani vai ao Pão de Açúcar, Julian Assange continua preso em na embaixada equatoriana na Inglaterra por ser o mentor do Wilileaks, site que vazou documentos diplomáticos de todo o mundo e que “pegou”, inclusive, dona Yoani se encontrando com representantes dos EUA. Outra: Bradley Manning, soldado do exército dos EUA, está preso por ter levando ao mundo cenas de assassinatos cruéis realizados por seus companheiros (ou comparsas?) nas campanhas militares de seu país. Mais uma: existem cinco cubanos encarcerados até hoje nos EUA sem que seus direitos jurídicos sejam totalmente respeitados. Seus crimes: tentar evitar atentados em seu país praticados por grupos anticubanos residentes em Miami. Falar da prisão de Guantánamo excederia o número de linhas disponíveis.
3º. “Faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço”: Se acordarmos que Yoani recebe mesmo dinheiro de órgãos estrangeiros com interesse de desestabilizar a política interna cubana, então poderemos dar a ela o título de pior agente infiltrada, já que, em cuba, nem perto de 10% dos cidadãos conhecem a “rainha da liberdade”. Ao longo da História da Revolução Cubana, muitos se infiltraram, inclusive programando atentados no país. Yoani não é a primeira, mas é a de menor expressão, sem dúvida. Existe uma série de textos disponíveis com certa facilidade na Internet que colocaram a personagem em situação difícil. Um, no entanto, sempre chama mais atenção. Yoani escreveu certa vez em seu blog que não tinha como garantir comida a um filho. Dias depois, escreveu artigo ao jornal espanhol El País – de onde é correspondente muito bem paga – sobre como se comer bem em Havana. Disso conclue-se duas coisas: ou é farsante ou é uma mãe de quinta categoria.
4º. “Lá não é como cá”: Perguntem a algum diplomata estadunidense sobre qual punição se aplica um cidadão do país que usa a Internet e outros meios para denegrir mundialmente a imagem de seu país, recebendo dinheiro estrangeiro? Poucos lugares do mundo permitem que alguém fique anos à sombra de forasteiros com outros interesses publicando livremente o que quer que seja sem sofrer qualquer tipo de punição. Yoani não consegue provar nada sobre a intromissão do governo ao seu livre exercício de crítica.
Cuba sempre foi alvo dos mais acirrados e acalorados debates. Yoani não merece nenhum movimento contra sua visita. O certo seria o desprezo à insignificância de sua crítica pronta e meticulosamente estudada. O bastião da ousadia que é Cuba, merece reconhecimentos dos mais variados, e conclusões das menos pessimistas como, por exemplo, a que sempre vem à mente: será possível um país onde a educação é levada a sério ser conivente com uma ditadura longa? A resposta vem de quem viu in loco a realidade cubana e nos mostra que lá não existe paraíso, mas uma luz democrática com os Conselhos de Bairros regulares, saúde e educação como serviços públicos gratuitos e referendos constantes, que nos deixam no chinelo em todos os sentidos e níveis.
Ousaram pensar diferente.







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