Sidney de Moura
Diretor do SEPE Friburgo, Coordenador Nacional da Unidade Classista e membro do Comitê Central do PCB.
"A faca só entra na manteiga até encontrar o fundo duro" (Provérbio Soviético)
Há pouco tempo numa manifestação durante a greve dos educadores de Nova Friburgo fizemos uma intervenção afirmando que o atual prefeito era arrogante e autoritário. A constatação contida no nosso pronunciamento estava baseada nas ações objetivas e concretas praticadas pelo atual chefe do executivo municipal, e ia de encontro à visão dos que acreditam que ele é infantil. Continuamos discordando desta caracterização e ampliamos a adjetivação: é fascista!
No Brasil, cuja sociedade é dividida em classes, invariavelmente, os chefes dos executivos não passam de gerentes a serviço de acumulações pessoais e dos interesses maiores da classe minoritária dominante, a burguesia. Esta classe iniciou seu processo histórico de dominação, em escala mundial, na Revolução Gloriosa (Inglaterra) e realizou a estruturação organizativa do Estado consolidando seus parâmetros societários, alicerçados na exploração do homem pelo homem, na Revolução Francesa.
O Estado burguês, portanto, é um instrumento de dominação de uma classe sobre a outra, e como já dissemos, seus administradores-mores estão a serviço desta dominação. Neste sentido, o Estado numa economia de mercado é caracterizado como um aparelho em que todos os recursos administrativos e jurídicos (justiça burguesa) são usados para a manutenção da ordem a serviço da rapinagem capitalista.
Para a classe trabalhadora, que só tem sua força de trabalho para vender no mercado, é vital entender o mecanismo usado neste processo de dominação da minoria sobre a maioria. Destacamos duas, entre outras formas de dominação utilizadas pela burguesia para manter, via aparelhos ideológicos, o apassivamento dos dominados. A primeira é a coerção, que é o ato de induzir, pressionar ou compelir alguém a fazer algo pela força, intimidação ou ameaça. A outra é o constrangimento disciplinar, quando tenta limitar a liberdade dos trabalhadores, suas ações e escolhas enquanto classe, no nosso caso, a representação sindical.
Os descontos nos salários dos grevistas determinados pelo prefeito-gerente de Nova Friburgo e as ameaças de alguns capatazes nas unidade escolares estão intrinsecamente ligados a essa lógica, ou seja, a de obrigar a que os trabalhadores assumam tarefas servis subordinadas aos interesses vitais à reprodução do capital.
Os ataque ao funcionalismo e ao serviço público de qualidade tem por objetivo velado abrir brecha para o lucrativo negócio das privatizações. Para nosso desprezo, este processo de dominação conta com aliados em nosso meio. São dirigentes sindicais pelegos instrumentalizados para extrair o consentimento e a colaboração com a classe exploradora. A luta por melhores salários e condições de trabalho dentro deste cenário é dura. O que não quer dizer que não podemos vencer. A história está cheia de exemplos, vide a greve recente dos garis no Rio.
No caso dos educadores da rede municipal friburgense, em meio às ameaças e incertezas, reforçar sua organização é fundamental. Isso porque todas as conquistas históricas, direitos e rede de proteção social, que hoje são retirados de forma mitigada por políticas sociais emergenciais, foram conquistadas na base da luta organizada da classe. O sindicato, como instrumento de luta, pode se equivocar, mas, quando ele expressa e encaminha a vontade consciente da categoria, o que pode parecer uma derrota tem efeito temporário e serve de aprendizado. Isso porque, historicamente, sempre que a classe faz um recuo organizado e se mantém firme no enfrentamento, transforma o que aparentava ser derrota no fortalecimento do espírito coletivo, elevando o patamar de consciência da classe e, em seguida, obtendo conquistas. Nós, educadores e trabalhadores em geral, temos que ter cristalizada a ideia de que nada nos será dado sem luta. Um raio não desce de um céu azul. Só haverá conquista se lutarmos junto. Vamos à luta!
Sem pagamento não haverá reposição!
Organizar e lutar!
O SEPE somo TODOS nós!
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