Por um feminismo classista!

Nathália Mozer
Militante da UJC e do Coletivo Ana Montenegro

Desde o último dia 25 de Novembro, feministas em todo o mundo vêm celebrando os 16 Dias de Ativismo Contra Violência de Gênero e Classe, com objetivo claro de promover o debate e denunciar as várias formas de violência e explorações de gênero. Serão lembradas algumas datas importantes como 20 de Novembro, dia da Consciência Negra; o 25 de Novembro, Dia Internacional da eliminação da Violência Contra a Mulher (devido ao assassinato das mulheres que lutavam contra a ditadura na República Dominicana); o 1° de Dezembro, Dia Mundial do combate à AIDS... Enfim, dias diversos em que no mundo inteiro a pauta em debate é a mulher e suas lutas.

A violência doméstica, por exemplo, a cada dia que passa faz mais e mais vítimas, sendo, portanto, um momento muito propício a tais debates, posto que é tempo de pensar e repensar que as todas as formas de violência de gênero são sim uma questão pública. Por exemplo, um estudo do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) revela que grande parte dessas mulheres são negras, jovens e pobres. O que demonstra que pra além de uma questão pública de gênero, isso é também uma questão de classe! (Matéria aqui: http://www.portalafricas.com.br/mulheres-negras-jovens-e-pobres-sao-as-maiores-vitimas-da-violencia-domestica/#.UpWuotL6X6s)

É fato, infelizmente, que o movimento feminista de massas hoje está engessado com pautas que pouco contribuem pra um debate que avance e leve o debate aos que não sofrem esse tipo de opressão para entendam a dimensão e a importância dessa luta. Penso que é preciso que o movimento dê um salto de qualidade no sentido de haver pautas mais gerais que apontem pra uma resolução mínima dos problemas das trabalhadoras, tais como: mais iluminação nas ruas, mais lavanderias, creches e restaurantes populares, uma política de segurança para a violência de gênero que seja mais disseminada e mais qualificada, aumento do quantitativo e da qualidade do transporte público de maneira a evitar assédio, dentre muitas outras.

É muito grande o tempo que se perde afirmando e discutindo questões estéticas, como depilação, e até mesmo a própria questão da sexualidade. Não que não sejam importantes essas reflexões, mas é necessário se ter em mente que, numa sociedade burguesa com uma moral hipócrita, que subjulga os trabalhadores em seu cotidiano, é impossível que a mulher conquiste sua autonomia de forma concreta e sem preconceitos.

A cada dia eu tenho mais certeza de que a luta pela autonomia da mulher tem que ser uma luta aliada e conjunta pela derrubada do capitalismo! E é dever das comunistas levar essa pauta para os movimentos. Os trabalhadores a cada dia perdem mais e mais os seus direitos! Sendo pior ainda a situação da mulher trabalhadora, que além de todas as questões como falta de escola de qualidade pra deixar seus filhos, ainda tem que andar nas ruas com medo de estupros e tudo o mais que enfrentam no meio de seus trabalhos. Isso sem falar nas vítimas de ‘porn revenge’ que têm se tornado tão comum. São, enfim, vítimas de uma sociedade patriarcal, em que a mulher não é nada além de propriedade do homem e condenada ainda pela moral burguesa.

É tempo de as comunistas ocuparem os espaços e levar o debate de gênero pra além do gênero. Nosso ódio não deve ser o de gênero, mas sim o de classe! Nossa luta é pela superação do machismo e pela derrubada do capital!

Mulher que ousa lutar constrói o poder popular!

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