Pela Comissão Política Estadual
25/10/13
As manifestações de rua, apesar dos vaticínios dos pessimistas, têm
mantido sua constância, e de forma mais qualificada após o oba-oba geral
que tomou as ruas no mês de junho. Passada a euforia, continuaram nas
ruas quem sempre esteve: os partidos de esquerda e os movimentos
sociais, como vanguarda organizada das massas. As manifestações têm se
sucedido rapidamente, evidenciando a agudização da luta de classes no
Brasil e, em especial, no Rio de Janeiro: atos de repúdio à ditadura
empresarial-militar de 64 e pela transformação do antigo DOI-Codi em
centro histórico para verdade, memória e, principalmente, justiça; atos
de solidariedade aos profissionais da educação, vilipendiados pelas
nefastas políticas de Sérgio Cabral e Eduardo Paes; atos contra o
criminoso leilão do campo de Libra, entregue a preço de banana, pelo
governo Dilma, ao capital estrangeiro; dentre outras lutas relevantes,
às quais a militância se entrega com fervor.
Enquanto as manifestações de massa mostram sua força, de outro lado, o
aparato repressivo do Estado também recrudesce sua sanha assassina. Todo
o instrumental de segurança "pública" do governador Sérgio Cabral volta
suas baterias contra os manifestantes, em um festival de desrespeito a
garantias e direitos fundamentais que só encontra paralelo na já citada
ditadura empresarial-militar de 64. São bombas de gás -em concentração
maior do que a permitida pelos organismos internacionais, conforme
denúncias, e mesmo além do prazo de validade- disparadas a torto e a
direito, sem critério, apenas pela vil intenção de aterrorizar a
população. Cassetetes e bordoadas distribuídas contra tudo e todos,
inclusive profissionais da imprensa e advogados, pelo facínora Batalhão
de Choque. Banhos de spray de pimenta sobre as pessoas. Prisões feitas
sem a menor acusação formal, bastando apenas "estar" na manifestação
para ser encaminhado à delegacia, como se "ser manifestante" fosse crime
previsto no Código Penal. Como se não bastasse, a PM não informa a qual
delegacia está encaminhando o "suspeito", nem mesmo se instada por
advogado; ao invés de respeitar o critério de atribuição territorial das
delegacias, roda pela cidade com os detidos, no intuito deliberado de
causar terror psicológico, para entregá-los em qualquer delegacia a
quilômetros de suas residências. Isso tudo realizado por policiais
militares "sem nome", identificados apenas por números e letras.
Nas delegacias, aos "cuidados" da Polícia Civil, o tratamento não é
menos pior: os manifestantes têm sido enquadrados de forma severíssima,
como quadrilha ou bando, "armados", claro, para agravar, e até mesmo
como incursos na nova lei de organizações criminosas -sancionada por
Dilma em agosto, após as grandes manifestações de junho, diga-se de
passagem- com todas as implicações, no campo jurídico-penal, que isso
traz para os indiciados. Não importa aos delegados de polícia que não
haja indícios (ou que sejam forjados, como no caso, amplamente veiculado
pela mídia, do policial militar que "plantou" um morteiro aos pés de um
jovem manifestante para incriminá-lo) e que uma "organização criminosa"
seja um conceito jurídica e sociologicamente diferente de um grupo de
manifestantes. Querem agradar aos chefes, José Mariano Beltrame e o
patrão Sérgio Cabral.
O Ministério Público e o Judiciário também deixam a desejar. Ao invés
de, pelo uso de suas atribuições, repudiarem e denunciarem as criminosas
práticas policiais, seguem o roteiro e mantêm o cerco aos
manifestantes, mostrando que, como os comunistas sabemos, na sociedade
de classes "dura lex sed lex" apenas para os trabalhadores. É verdade
que, dado o flagrante abuso nas prisões, há decisões judiciais
determinando a soltura de acusados, inclusive a pedido do próprio
Ministério Público; todavia, isso ainda está muito aquém do necessário, o
que prova que tais instituições falham enormemente na tarefa de
defender garantias constitucionais, mesmo para os parâmetros limitados
do Estado burguês.
Não podemos, nem iremos, nos acovardar diante desse cenário. Ao
contrário, quanto mais o Estado fascistizóide perseguir e ameaçar os
lutadores sociais, com mais força ergueremos nossa voz. Conclamamos
todos os partidos de luta, sindicatos, organizações e movimentos
sociais, para que, unidos, possamos fazer frente ao terrorismo de Estado
que Sérgio Cabral et caterva querem impor à classe trabalhadora do Rio de Janeiro.
Não passarão!
Pela desmilitarização da PM!
Pela libertação dos presos políticos!
Pelo Poder Popular!
Pela libertação dos presos políticos!
Pelo Poder Popular!
A Comissão Política Estadual do PCB-RJ.






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